
Klimt
Vejo que passas como um fragmento luminoso
na tinta desta caneta incandescente
nesta letra mal acabada
vejo que passas por mim
que sou A de árvore
S de sombra que se projecta na parede negra de xisto
sinto que passas
e quebras pelo centro a indiferença destes dias
cheios por esta profissão iníqua de ângulos mortos
vejo que passas silenciosamente
como num filme de Antoinioni
desarrumada de luz
e de pulseiras de cristais translúcidos
a espuma dos teus passos
é o salário bastante para os meus olhos operários
a cintilação da tua voz
água para a minha sede de árvore
e não conheço outra verdade
que me faça ser esta raiz.
7 comentários:
E eu vejo que és A de árvore, S de sombra e vejo que és raiz, cada vez mais uma raiz...
JRL
E adoro o Klimt... Bj
Que bonito! Há tanta cultura em cada poema teu. :)
Acabo de te conhecer. Já dei uma "volta" pelo teu blogue, de que gostei muito.
Tens um dom especial para escrever...
Vou voltar.
Varanda de Liberdade?
Ou...
Varanda para a liberdade?
Essa que não tenho, mas que teimo em um dia conseguir.
Liberdade, essa que dás a quem te lê. Noto que não prendes as palavras à pontuação e deixas ao critério do leitor, definir o ritmo da leitura.
Varanda de liberdade....
É uma frase que tenho de anotar!
beijo
Maçã de Junho
é isso para isso que se pretende alertar , por haver tantas vidas desfeitas
Saudações amigas
J. Constança, Maria, Maça de Junho e Valente um muito obrigado mais uma vez, pelas vossas preciosas palavras.
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