terça-feira, 21 de agosto de 2007

Poema Directo




Ainda que os teus dedos
não estejam mais ao alcance dos meus
ainda que eu nunca te tivesse dito
que os teus olhos
eram as verdes feridas
que me iluminavam todos os minutos
ainda que só agora o diga
ainda assim abro com terno desespero
esta rua de poesia e saúdo-te
mulher da minha vida
nesta rua em que todas as casas tem o teu nome
e todas as pessoas te conhecem em demasia
para te puderem perder como eu te perdi
ainda que este papel
não seja o lugar
onde sublime possas repousar
eu digo que se houvesse de louvar-te
buscar-te –ia no vento porque sou nada
e porque tudo é pouco
para abraçar o impossível
e esconder as minhas dores.

15 comentários:

Maria disse...

Tão bonito, e tão dorido....

Um beijo

hfm disse...

Belíssimo!

Fa menor disse...

Será impressão minha eu é mt a amargura que vejo por aqui?!
Antes seja só impressão... uma vez que é a primeira vez que aqui entro, e talvez não tenha dado para perceber claramente!

Mas tem qualidade, isso é inegável.

Agora, há que viver sempre de bem com a vida, pois senão corre-se o risco de cair num buraco sem fundo!

Fa-

Maçã de Junho disse...

Não no papel, mas entre as tuas palavras.

M

Alma de Poeta disse...

Um poema triste para ti, mas belo para mim.
Um elogio á mulher amada, e quem não gosta de se sentir amada.
O sentimento de perda, esse que tão bem conheço.
Parabens pelo blog que certamente voltarei para ler, agora que levei o link.
Um beijo com carinho

Constança disse...

Um poema a preto e branco, como a imagem...

GarçaReal disse...

Lindo....Belo....Triste...

bjgrande

Vieira Calado disse...

Poema amargo mas bonito.

CMondim disse...

mas q fadário o das almas sensíveis..

A Sonhadora disse...

Mto bonito...amar assim...e ser amada assim... não é para todos!!!
Gostei de conhecer este teu canto, de encanto...
A sonhadora

João Filipe Ferreira disse...

ola carlos
adorei os seus escritos, muitos parabens

eu e o pedro lopes do site que recomento (www.luso-poemas.net) estamos a fazer uma colectanea.

uma antologia 100 autores, 100 poemas pela ecopy. Neste projecto cada autor participa com 1 texto. O unico custo que terá é comprar 1 livro, ou seja terá o preço de 12 euros. é um livro que pode estar em qlq loja que qualquer autor arranje para além das muitas lojas onde está presente, pensei em o convidar, se quiser será um prazer:)

grande abraço

Tchivinguiro: onde nasci. disse...

Admirável. Que mais dizer-te quando este poema me "cala" com a tua mensagem.

Profundo. Íntimo, também. E muito bem ilustrado. Expressiva fotografia.

Beijinhos

blue disse...

uma associação de palavras forte, um imagem poderosa.

Dizeres de Andarilho disse...

Esconde as dores quem vive uma vida que não viveu, e quem esconde na vida o que na vida sofreu, lembrar-se-á que na vida chorou, porque vive neste mundo em que o tempo passou… tudo morre nesta mundo, menos os versos que rasgam a vida…

Sónia Pessoa disse...

estou com pele de galinha... poema lindíssimo.
Parabéns, vou voltar.

beijoca,

Sónia