sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Primeiro Dia



Deveria cortar as mãos
para não desenhar as palavras erradas
o perigo é esse
esquecer-me de ti
numa destas noites mal dormidas
deixar de tropeçar na presença da tua ausência
e ser acusado do crime de silenciar a tua memória
o poema que escrevo desde o primeiro dia.

6 comentários:

Maria disse...

Belíssimo....
... sempre as ausências...

Bom fim-de-semana
Beijo

Constança disse...

Intenso!

Dizeres de Andarilho disse...

“Deveria cortar as mãos
para não desenhar as palavras erradas”

Embora pense que não escreves palavras erradas, lembra-te que é com elas que se comove a vida, que são elas que fazem o rosto de todos os rostos, (pelo menos alguem assim o disse), são elas que desses corpos despem a nudez até a carne emocional de quem os vive (acho que já li isto em algum lado... as tuas mãos trazem novos afagos de lua cheia, estendem gentilmente tranquilas horas infindáveis de uma delicia sentida, de um prazer abraçado, transportam com elas pedaços de uma vida, de um sonho, de um desejo., pedaços de doçura.. por isso convida-as as ficar em ti, e de ti que parta o convite para que continuem a pintar as letras que tornas publicas...

Carlos Ramos disse...

Dizeres de Andarilho. Concordo contigo e acrescento parafraseando Cesariny "Entre nós e as palavras os emparedados e entre nós e as palavras O NOSSO DEVER DE FALAR.
Por isso é importante que continues como dizes a comover outras vidas e a fazer o rosto de mais rostos e fazer o teu caminho, com o teu beat próprio que abre nesse caminho outros caminhos.

Tchivinguiro: onde nasci. disse...

Poema da memória.

Poema que fica.

Poema que diz.

Não o esquecimento mas a lembrança.


Beijinho.

baixinhaaa disse...

as ausencias e o aprender a viver com elas

eternos sentimentos

bjinhuxxx