
Jeanne - Amadeo Modigliani
Deixar Correr as lágrimas
percorrer-nos o rosto com enorme gentileza
é escrever a tinta invisível a visível liquidez das palavras claras
o céu é como se chama o lugar perdido que reflecte a tua pura presença
a delicadeza do teu gesto
a tua mão no meu cabelo suavemente
é o segredo que inclina a água onde navegamos
e não tenho palavras nem mais segredos
para dizer á raiz que o meu corpo é o teu corpo
e a minha sede é o rio por onde correm essas lágrimas
tal é a flor da flor
o gesto terno de um olhar
A erva mais alta no campo mais verde
o principio das coisas
o exemplo estrutural da criação
é este o caminho que percorro
um caminho de milagres e poços negros
e trago o teu gesto na profundidade ampla do meu coração
que bate aqui e ali como a vai vem das vagas nocturnas
sem nenhum agenciamento prévio
inventamos aquela cola indestrutível
que une as coisas permanentes
a estrutura milagrosa da teia de aranha
ou a voz dos plátanos beijados pelo vento norte.
por isso peço o impossível
que te levantes mais uma vez
e na delicadeza do teu gesto
eu sinta ainda a tua mão no meu cabelo suavemente.
percorrer-nos o rosto com enorme gentileza
é escrever a tinta invisível a visível liquidez das palavras claras
o céu é como se chama o lugar perdido que reflecte a tua pura presença
a delicadeza do teu gesto
a tua mão no meu cabelo suavemente
é o segredo que inclina a água onde navegamos
e não tenho palavras nem mais segredos
para dizer á raiz que o meu corpo é o teu corpo
e a minha sede é o rio por onde correm essas lágrimas
tal é a flor da flor
o gesto terno de um olhar
A erva mais alta no campo mais verde
o principio das coisas
o exemplo estrutural da criação
é este o caminho que percorro
um caminho de milagres e poços negros
e trago o teu gesto na profundidade ampla do meu coração
que bate aqui e ali como a vai vem das vagas nocturnas
sem nenhum agenciamento prévio
inventamos aquela cola indestrutível
que une as coisas permanentes
a estrutura milagrosa da teia de aranha
ou a voz dos plátanos beijados pelo vento norte.
por isso peço o impossível
que te levantes mais uma vez
e na delicadeza do teu gesto
eu sinta ainda a tua mão no meu cabelo suavemente.
10 comentários:
Por isso só peço o possível: escreve mais destes Carlos.
Adorei a suavidade que afaga as palavras.
Um beijo
Astra
Anulei o anterior post só com o Modigliani e arrastei o teu precioso comentário. A minha intenção original era esta; poema + pintura. Também te quero dizer que aprecio muitissimo Modigliani, inclusive os nus, um dos quais referidos por ti. Recentemente estive em Colónia onde pude ver e sentir as suas obras. Quando se fala dele é de sentimento que tratamos e de alguém que, apesar das dificuldades nunca transigiu.
Um beijo e desculpa
Belíssimo conjunto e estão muito bem um para o outro :)
Carlos não tem problema, tu leste, e percebste o que te quis dizer.
Isso é o importante.
Acho mesmo que Modigliani foi um exemplo de preserverança. Não baixou os braços perante a doença e a adversidade, acho que essa tenacidade é tranmitida nos seus quadros.
Beijinho
Desculpa: já agora viste as esculturas?
Não vi as esculturas, mas fiquei bastante satisfeito com os quadros, infelizmente poucos. Consegui entender o poema pintado para além da própria tinta. Modigliani era unico.
Perfeito! Ainda bem que encontrei as tuas palavras, também voltarei. :)
obrigada, carlos. é bom passar de novo por aqui.
:)
Olá Carlos,
Vê o post (no meu blogue) de 22.07. Bjs
Carlos, la estás tu...nas letras miudinhas...
Só passei para te deixar um beijinho
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