terça-feira, 1 de julho de 2008

Unicamente...


Andy Waite - "The Weight of Wings"


As palavras pregadas aos pulsos do poeta
doem na paisagem branca onde se espreguiça o poema
um equilíbrio instável
brilha na ferocidade insegura do deslumbramento
esconde-se na agudeza do sonho
bate contra as pedras como os farrapos dos naufragados
é um torso de mármore
um corpo sublime para venerar
um ritmo dormente onde cresce a melancolia
pelos braços e pernas do poeta
o poema cresce como semente da carne
aranha louca
o poema indestrutivel
uma interferência para acordar a noite
uma porta com flores
uma praça imaterial onde te encontro inteiramente
uma página púrpura
uma máquina de pensar
porque tu és uma gota livre
sinfónica
polifónica
nuvem nos olhos de cristal dos peixes
asas de mar
asas imediatas no amadurecimento da luz
é manhã
é argila futura para as estátuas
onde sobressaem pequenas estrelas
com o céu das suas luzes
e não sei como dizer esse brilho
das coisas que me cercam e libertam
todos os rios que me transportam
no vagar do seu caminho
eu sou a margem da água por purificar
uma criança espantada pela noite
que escreve unicamente para ti.

5 comentários:

Sónia Pessoa disse...

obrigada pelo comentário. Não é a primeira vez que lembro Chaplin, acho que devia ser um ser humano muito sensível e merece ser lembrado. Também gostei deste teu texto e da imagem. Vou agora fazer um post muito importante para mim, e convido-te a que o vejas mais tarde.

Beijinho,
Sónia

Carol disse...

Que sorte a dessa pessoa para quem escreves... Espero que saiba dar valor.

... a cada instante ... disse...

Há muito tempo que ando a namorar o seu blog. Encanta-me a profundidade visceral como escreve. Como se cada palavra lhe fosse arrancada à alma. Obrigada e parabéns.

M. disse...

Do mármore ao poema, esculpe-se o verbar como as mãos hábeis na argila.
Disseste o brilho todo. Disseste-o tanto.

Neruda foi. Tu és. E mai nada.

Beijo

Ad astra disse...

e eu não sei das palavras certas

só sei que te leio
releio...
e oiço a música que escorre da tua escrita

um beijo