terça-feira, 11 de março de 2008

Tudo Quanto...


Bacon

O sonho é onde arde esta cama inexplicável de acordar
uma zona de propagação das cores ácidas
brancas e vulneráveis
neste pequeno jardim
eu nunca quis companhia
por pensar que estava a mais
totalmente calafetado com poemas e outras quinquilharias
mas do peito surgiram as aladas estrelas carmim
que esperava desesperadamente
antes de me despedaçar
nas pálpebras dos meses e dos anos
olho a noite
é tão pequena
que caberia nas mais perenes mãos
eu diria que me deitaria á sua porta
como um animal abismado
e tudo quanto me cega
é tudo o que me deixa ver.

10 comentários:

JRL disse...

tudo quanto me cega é tudo o que me deixa ver. claridade incerta. um beijo, carlinhos.

Graça Pires disse...

Um poema como um sonho vem quando menos se espera.

Vieira Calado disse...

Gostei deste seu poema.
Além disso (quanto a mim) condiz com a gravura.
Surrealismo?
Penso que sim.
Embora o surrealismo também tenha muitas formas diferentes.
Um abraço

CMondim disse...

Os poetas não são obscuros. há que encontrar as chaves para te lêr. n sei se consigo.

Maria Laura disse...

As aladas estrelas carmim surgem sem se anunciar. Acho que combinam com os poemas como este e outras quinquilahrias...

Manuela Viola disse...

Gosto deste teu poema sentido.
Bjo

Vieira Calado disse...

Um abraço.
Boa Páscoa.

Dalaila disse...

sonho às vezes clareia, outras sombreia-nos no pensamento e afinal é a realidade

Claudia Sousa Dias disse...

è fantástico como soa bem lida em voz alta a tua poesia...

CSD

Sandra Fonseca disse...

Identifiquei-me com esse belo poema. Sou da solidãodasmulherespoetas...
Ainda lembrou-me uma canção que diz assim:" Só uma palavra me devora, aquela que meu coração não diz... Só o que me cega, o que me faz infeliz, é o brilho do olhar que não sofrí". (Sueli Costa e Abel Silva).