quarta-feira, 26 de março de 2008

Balada dos Dias Circulares



Indefinidamente
A luz atravessa o teu corpo
tecla de piano

A areia molhada onde deixaste as roupas
Roubadas pela noite
Tecla de piano

Cidade costeira
Grito de espuma
boca dos assombrados
o teu reflexo inseguro
no canto dos pássaros marítimos
Tecla de piano

Ouvido de concha
Rente aos segredos que não nos pertencem
Tecla de piano

Cidadezinha que instantânea te desfazes
Gato oceânico límpido olhar de água
Tecla de

Marfim de mais um dia
Sapatos rotos
Passo de poeta
Tecla

Os minutos suspensos
na vida dos ramos das mais altas árvores
Compreendo agora
todas as palavras encantadas
vento destruído pela ferocidade da musica
um rosto com o seu abismo
uma ponte para o incêndio do silencio
um movimento puro
a loucura aproximando-se da caneta
ou um garfo hipnotizado
para a alimentação das estrelas.


5 comentários:

Ad astra disse...

ja te disse o quanto gosto de ler-te...
de saborear cada palavra

M. disse...

Preto e branco, ébano e marfim, os dedos compõem-se num Blue sobre o corpo
Mais um dia.


Um beijo

Maria Laura disse...

E o som do piano esbate-se à medida que o dia morre. Muito bom.

Graça Pires disse...

O piano. A música: "uma ponte para o incêndio do silêncio"
Um excelente poema.

Claudia Sousa Dias disse...

Mais um excelente poema, Carlos.

Gostei muito.


CSD