domingo, 7 de outubro de 2007

Sombriamente iluminados


Dali - a persistencia da Memória


Sombriamente iluminados
estilhaçados de luz
com o corpo por acabar
cheios de fantasmas
evitávamos o ar das cidades contaminadas
e buscávamos o nosso suor
e a nossa sede no silencio dos madrigais
onde deambulávamos cheios de letras indizíveis
e dávamos as mãos que não eram nossas
àqueles a quem pertencíamos

Sombriamente iluminados
estilhaçados de luz
com o corpo por acabar
caminhávamos nos telhados surrealistas e
levantávamos voo
relembrávamos estórias
pássaros que passam
que não precisam morrer nem saber mapas
o nosso voo metodicamente
sulcava cada gesto
cada abraço
cada milagre que entre nós
foi o de lágrimas não choradas
porque éramos felizes

Sombriamente iluminados
estilhaçados de luz
com o corpo por acabar
crianças fomos
e do mar fizemos
unicamente a paisagem dos nossos olhos
seara que nenhum desastre podia arrancar
eu sabia as pequenas curvas de cada duna
o teu corpo de água que fluía para o meu centro
eu comia desse alimento e crescia
olhava o sonho antes da tempestade
queimávamos o tempo com pequenas faúlhas
fechávamos os olhos e adormecíamos.
sombriamente iluminados
estilhaçados de luz
com o corpo por acabar.






9 comentários:

JRL disse...

Como tinha saudades, Carlos... Bj grande

Maria disse...

Perdi-me nas tuas palavras...
Que excelente poema...

Um abraço

Gi disse...

Muito belas as palavras.

Parabéns

Resto de bom domingo

Bj.

Ad astra disse...

Tarda e faz-se esperar...mas quando chega...

Um beijo terno

Constança disse...

Passo horas a olhar para as obras de Dali...

Utzi disse...

Iluminado... Também tu.

Beijo

Rui Caetano disse...

Poema profundo e a imagem que eu já conhecia muito sugestiva e inquietante. O tempo que corre e escorre por esse mundo fora.

GarçaReal disse...

Particularmente belo.
Gostei de

Sombriamente iluminados
Estilhaçados de luz

bjgrande

beija-flor disse...

Dali...impossível ficar indiferente..e enredado com as tuas palavras é admirável..Parabéns!:)