segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Balada Para Uma Ausência


Jack Spencer


De repente tudo parece azul
de um azul profundo
estelar inacessível

desde que nas minhas veias
corra o sangue de ferir
eu digo
este lugar não é para ti
melhor ficarás nos mundos intermédios
onde a terra não treme
onde não precisas da perfeição do exigir
mais uma noite solitária
é o que de mais acolhedor posso oferecer
estas nuvens que passam
restos do teu cabelo
são o algodão e a água que corre
e que te recorda da melhor maneira

O Outono chegou em pleno Verão
plátanos e bétulas
despem-se com ternura e suavidade
preparam as raízes para o silêncio
e sinto o voo das suas folhas
conheço como o elas o chão do desamparo.




9 comentários:

Ad astra disse...

Palavras janelas da alma.
Da tua...da minha...
(conheço como elas o chão do desamparo)

Beijo

JRL disse...

Olá Carlos,
Já regressaste?
Como sempre, muito sentido, esse teu linguajar exploratório da beleza das palavras, dos sentidos e da alma!
Um beijo grande

Tchivinguiro: onde nasci. disse...

Os lugares de ferir não são desejáveis nem queridos.

Que encontres e descubras, vida adiante, todos os lugares de azul beijados pelo sol e abraçados pelas estrelas.

CMondim disse...

puxa, q poema tão docemente melancólico...parece que há alguém que precisa de conhecer o carinho que um Outono pode trazer ;)

Maria disse...

Muito bonito este teu poema....
... em mais uma noite solitária...

Beijo

Tchivinguiro: onde nasci. disse...

O Outono está quase aí e traz com ele a Vindima, Carlos...
É o tempo das Colheitas.
A paisagem vai vestir novas roupagens.
Que o novo colorido da natureza também te anime.

hfm disse...

Gostei muito destes "mundos intermédios".

Constança disse...

Homenagem no meu blog. :)

Ad astra disse...

Balada para a tua ausencia, por mim sentida
Beijinho