sábado, 10 de novembro de 2007

Despedida


Yves Klein - "Blue Sponge"

A terra tremia e era doce o teu sorriso
Iluminado com a coragem das mães solitárias
De nenhuns filhos
Olhava de lado o teu perfil
As rugas de solidão cravadas na pele
Alimentavam o rosto preto e branco
Alguns cães desenhados na tua boca
O excesso de beleza dos teus olhos
Fotografados na memória para sobreviver
nesse rio quotidiano que me ilumina
Por dentro sei das súplicas que ele me traz
Os sublinhados nestas frases
Perante a indiferença geral
A nostalgia da justiça que era ter-te

Tenho as minhas razões para ser poeta
Para olhar para as flores e para as pedras
E misturar-lhes mar e algum cuspo
E ser o que não sou fora de mim
Consumidor das luzes que trazem a noite
Um sistema de profundidades várias
Onde as palavras se entregam
Á verdadeira revolução que habita esta casa
Estes passos pouco suaves
Em direcção ao nada
Esta desordem
Estes dedos cheios de utopia
Algum sonho de menino assustado
A agitação que se aproxima
O amanhecer do dia primeiro
onde fecho os olhos para te ver
água
poema
rendição
mel da vida
despedida.

6 comentários:

Maria disse...

Um poema muito bonito...
... fechar os olhos para ver água, poema, rendição, mel da vida, despedida.....

Um abraço

jrl disse...

és como os teus poemas, Carlos, um homem muito bonito. Um beijo

MADRUGADA... disse...

Belo texto!...

CMondim disse...

Bonita homenagem!

blue disse...

obrigada, carlos.

:)

Ad astra disse...

e sempre que te leio, fica esta indizivel sensação...rendo-me...

Um beijo para ti Carlos